Indigência moral
“O mal-estar que sofremos não vem, portanto, dos aumentos das causas de sofrimentos em número ou em intensidade: ele atesta não uma grande indigência econômica, mas uma alarmante indigência moral” – Durkheim .
A deusa Razão.
Alguns trechos do livro “O Homem e seus símbolos” – Concepção e organização de Carl. G.Jung .
“…A despeito da nossa orgulhosa pretensão de dominar a natureza, ainda somos suas vítimas na medida em que não aprendemos a dominar nem a nós mesmos. Nossas vidas são agora dominadas por uma deusa, a Razão, que é a nossa ilusão maior e mais trágica. É com a sua ajuda que acreditamos ter “conquistado a natureza”…
…Enquanto a vida caminha placidamente a falta de alguma religião não é notada. Mas quando chega o sofrimento, a coisa muda de figura. E aí que as pessoas começam a buscar uma saída e a refletir a respeito da significação da vida e de suas incríveis e dolorosas experiências…
…No entanto, se estamos tratando de coisas invisíveis e desconhecidas (pois Deus está além do conhecimento humano e não temos meios de provar a existência da mortalidade) por que exigimos provas e evidências ? Mesmo que o raciocínio lógico não confirmasse a necessidade de sal na comida, ainda assim tiraríamos proveito de seu uso. Poder-se-ia argumentar que o uso do sal é uma simples ilusão do paladar ou uma superstição; nem por isso o seu emprego deixaria de contribuir para o nosso bem estar. Por que, então, privar-nos de crenças que se mostram salutares em nossa crise e dão um certo sentido a nossas vidas ?
…À medida que aumenta o conhecimento científico diminui o grau de humanização do nosso mundo.”
A luxúria do século XXI.
Na idade média, a doutrina Cristã era mais influente sobre as pessoas. No entanto, com o surgimento do Iluminismo, parte da sociedade permaneceu conservadora em relação aos pecados, enquanto a outra mudou o modo como anteriormente pensava a respeito deles. Entretanto, esse avanço resultou na permissividade, por meio da qual a luxúria permite a banalização do sexo, exibindo uma pornografia sem censura.
Apesar do avanço proporcionado pelo Iluminismo, que permite um pensamento crítico e livre, há, principalmente, crianças sem base psicológica para ter acesso à pornografia. Contudo, a luxúria exibe o sexo em banca de jornais, visando maior lucro, e nas novelas de horário nobre, as quais, os pais de forma conivente, permitem seus filhos assistirem.
Com isso, a educação sexual que deveria ser ensinada de forma estruturada, elaborada por psicólogos e pedagogos em conjunto com a família, é substituída pela pornografia; na qual a luxúria exibe o corpo como sinônimo de prazer. Como consequência, os valores pessoais serão ignorados em detrimento do sexo, que além da satisfação sexual, envolve sentimentos abstratos e exige respeito para com o par.
No entanto, não é essa a educação ensinada para a maioria da sociedade moderna. A indústria do sexo, síntese da luxúria deste século, frisa somente o uso de métodos contraceptivos; o respeito à mulher é ignorado frente ao capital, o que resulta nos altos índices de estupros, sendo dessa forma ineficazes as leis contra esse tipo de crime.
Problemas sociais como o estupro, são resultados de uma sociedade sedenta por prazer, na qual crianças são expostas a pornografia, substituindo dessa forma uma educação sexual estruturada. A permissividade é excessiva, e nesse contexto a luxúria substituiu o respeito.
“A questão do aborto”
…”Diga-se a verdade: quem se opõem à descriminalização do aborto defende não à vida, como alega, mas sim uma crença religiosa segundo a qual nem o prazer sexual pode ser um fim em si mesmo nem o ser humano é dono de si próprio ou do seu corpo.
Ora, qual tem o direito à crença religiosa que bem entender, mas o Estado, que deve ser laico, não pode adotar nenhuma em particular.”…
(Folha de SP, 09/10. A questão do aborto, Antônio Cicero )