Vivendo numa livre prisão
Atualmente as redes de comunicação são capazes de suprir a solidão vivida nas grandes metrópoles, existente devido ao aumento da concentração de pessoas residentes em uma mesma cidade. Nesse fenômeno de êxodo rural, muitos se esquecem de avaliar os problemas existentes nos centros urbanos.
A violência é uma dos principais, gerada pela desigualdade entre classes sociais. As quais levantam muros para se protegerem do ambiente em que vivem, seja ele físico ou não, vigiados por nós, câmeras de segurança ou comandantes do tráfico de drogas.
Nesse clima de insegurança é preferível se isolar. Tornando-se mais fácil praticar as atividades da vida real na digital, como: compras, diversão, trabalho e tudo o que for possível, que são traduzidas metonimicamente para home offices, works… são atrativas mesmo quando capazes de diminuir nossas habilidades sociais [na vida real].
E é nessa mudança inversamente proporcional que o tráfego nas redes sociais aumenta. Fazendo a sociedade permanecer o máximo tempo possível cercada por paredes, além do aumento de doenças mentais como: síndrome do pânico, depressão, compulsividade, fobias a pessoas e estresse sejam mais comuns aos cidadãos que paradoxalmente não têm o direito de serem livres.
Conseqüências como essas são comuns quando o aumento populacional é em demasia e não planejado. Isso faz com que violência aumente e as pessoas se auto-aprisionem em muros reais ou artificiais, isolando e salvando-se cada vez mais nas redes digitais.
Coexistir e não distinguir
O pensamento humano surpreendeu o mundo com a Revolução Industrial, uma das primeiras grandes inovações na mecânica. A sociedade percebeu bem essa mudança, pois tiveram horas de trabalho (exaustivas) reduzidas para condições humanas, devido ao processamento de tarefas em série feito pelas máquinas. As quais continuamos reinventando para suprir nossas necessidades, mesmo com os desafios da ética e dos direitos humanos.
Novos sensores e processadores surgem a todo instante fazendo com que os computadores sejam cada vez menores e a robótica avence. Os robôs antigamente restritos aos desenhos começam a fazer parte de nosso cotidiano, gerando novas questões sociais como a possibilidade de um dia eles também serem uma nova raça inteligente.
Distinguir sensores de sentidos e processadores de pensamentos torna-se cada vez mais difícil. A única diferença que ainda permanece intacta com todas essas revoluções é a vida (ainda morremos) diferentemente do que é representado pelo homem bicentenário que torna-se “humano” para dar fim a sua eternidade.
Porém, o homem pós-humano mesmo que ainda mortal está sendo criado pela Medicina em conjunto com outras ciências. Pernas, braços mecânicos e tecidos epitelial sintéticos são exemplos de artifícios que permitem fazer transplantes para restaurar o corpo de pessoas gravemente acidentadas. No entanto, a aplicação e inovação dessas tecnologias também tornam possíveis construções de robôs semelhantes aos humanos que poderão ser o estopim de novos conflitos étnicos.
Em meio a uma nova sociedade composta de seres frutos de nossa inteligência tornar-se-á difícil distinguir quem é ou não humano além de enfrentarmos conflitos com essa nova raça. Gerada pelo Homo sapiens em seu desejo de eternidade.
Coexistindo com o medo.
Medo de Sarampo, Catapora e Tuberculose, Guerra Fria, Queda da Bolsa em 29 não mais; Câncer, AIDS, Gripe Suína, Crise Imobiliária e programas nucleares em desenvolvimento colocam o bem estar da humanidade a prova. Novos desafios sejam eles sanitários; econômicos ou políticos sempre estarão presentes para ousarmos vencer em vez de temê-los hipocondriamente.
O mais recente dos desafios é o vírus Influenza/A, seu anuncio colocou boa parte da população em desespero e medo hipocondríaco contra qualquer espirro alheio, ou, outra origem de vírus. As notícias sobre o aumento de infectados foram suficientes para as compras de máscaras e Tamiflu serem exponenciais, demonstrando a fragilidade humana.
No entanto, ter medo do medo não é estar vulnerável, pelo contrário, graças a esse instinto acumulamos experiências e desenvolvemos métodos para vencer qualquer coisa capaz de por a superioridade humana em risco. Se não tivéssemos a crise de 29, certamente a economia mundial iria desfalecer com os problemas hipotecários, agravando em outros maiores.
O medo também nos protegem do desconhecido, mas em excesso ele é prejudicial. A demasia desse mal necessário faz com que as ações sejam por instinto, por exemplo, se o presidente Obama agisse desesperadamente frente à crise, ou, mesmo que medidas sanitárias contra o H1N1 fossem alarmantes, o caos civil estaria instaurado em escala mundial.
A soberania de ser humano tem como base nossos instintos e experiências vividas. Com tantos desafios inesperados, a coexistência com o medo é essencial para a garantia da humanidade, não importa o quão desconfortável ele seja.
Reformas sem mudanças.
Pelé é considerado o Rei do futebol, no entanto, não tem a mesma formação acadêmica do pai da física moderna, Albert Einstein, mas ambos são peculiares em suas funções. Seria errado se fosse aplicado um exame vestibular para essas pessoas, pois há décadas insistem de forma necessária, mas errônea, nesse tipo de prova, sendo que nem todos estão aptos a realizá-la.
A educação é precária tanto em escolas públicas quanto em particulares. O grande tempo que inúmeros alunos passam em cursinhos pré-vestibular para entrarem em uma universidade de qualidade, justifica-se em parte pelo baixo nível de formação que eles recebem.
O aluno comum normalmente não está inserido na realidade do vestibular. É ineficaz o sistema de quotas e as atuais reformas nos exames de seleção, enquanto o estudante não consegue resolver metade da prova, antes de qualquer modificação o sistema educacional deveria ser de qualidade.
As condições atuais de ensino fazem os professores se restringirem a passar aos alunos um conteúdo com mais aprofundamento na matéria. No entanto, eles estão apenas tentando reparar o erro da aprovação imediata, esforçam-se ao máximo para deixarem os estudantes o mínimo preparados para uma prova concorrida e exigente em conteúdo.
Deixou de ser problema o vestibular, agora trata-se de vergonha nacional a partir do momento em que os alunos são obrigados a custearem cursinhos preparatórios se quiserem entrar em uma universidade de qualidade. Os professores, sistemas de quotas e reformas nos exames tentam reparar o erro da aprovação imediata dos alunos, mas de nada adianta quando o ensino de escolas públicas e particulares são precários.
